sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

De Repente A Gente Acha...

Mexendo em alguns papeis antigos, rascunhos de letras de música e poesias, achei este que talvez seja um determinante no meu conformismo após me mudar pra Dores. Algumas pessoas sabem o quanto eu relutei pra me mudar pra cá, e o quanto eu não queria abrir mão das "grandes cidades" por onde passei.

Lá se vão 9 anos que moro aqui, e o resultado é que pra mim vem sendo uma experiência onde amadureci em dois anos o que eu nunca amadureceria em 5 da forma como eu vivia. Um amigo meu bem me define como "menino de apartamento". Hoje não sei como seria minha vida se não tivesse voltado pra Dores, e hoje sei que entre toneladas de informações, aprendizado e amizades e alguns erros no caminho, sei que está valendo a pena - desconsiderando os inúmeros defeitos e circunstâncias que em alguns momentos me fazem desgostar de estar aqui.

Então, esse poema, inacabado, mas visceral, é um mea-culpa, onde aceito minha condição de "estar" e de mudar.

Depois de tanto tempo,
De velhas novidades.
Pessoas e cidades
Em poucos momentos
Aprendi a olhar diferente
Pra voltar ao que vivi,
E ao que não sabia existir.

Entre tanta gente indiferente,
Aprendo a viver diferente
A esquecer do ausente
E agradecer o presente.

Na mesma folha, um outro rascunho que certamente é sobre os dias que eu e o Carlos passávamos a tocar violão na rua da nossa casa, com inúmeras referências a letras que escrevemos durante os tempos de Hipnose.

Já tenho meu baixo e meu violão.
Agora só me falta uma canção.
A mesma que cantei com você,
A mesma que nos fez crescer.

Já tenho pensamento no coração
E saudade do meu irmão,
Sentado na rua, debaixo de chuva.
Incerto do amanhã, sonhando com a Lua.

Ainda ouço a mesma versão
De uma música triste no verão
Quando cantávamos que nada se perdeu,
Ou se quem se perdeu fui eu.

Eu não queria que fosse assim,
Talvez pudesse ter feito tudo melhorar.
Mas se houve algo sem fim,
Que seja bom e me faça chorar.

Um abraço a todos.
aureliomasr

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pessoas

Tanto postei aqui em 2010, aventuras e desventuras. Lugares que fui, coisas que fiz, situações que vivi e vitórias que conquistei. Mas tantas pessoas passaram na minha vida neste último ano que não posso deixar de comentar aqui o quanto aprendi conhecendo e vivendo com cada um dos amigos que fiz nos trilhos de 2010.

A obsessão por contatos com bandas para desenvolver meu trabalho me fez ir a diversos festivais de metal, a princípio com a Left Behind e depois com a Sacrament, e acabei conhecendo muita gente insana e bacana, além dos membros e amigos das bandas em si. Fiz alguns contatos, mas que renderam poucos frutos até então. Gastei um inglês bêbado em São Paulo no mês de setembro com o pessoal da banda Man of Kin, da Inglaterra, para a qual a Left Behind abriu o show, em uma das viagens mais divertidas que fiz com estes amigos.

A cabeça enfiada no meio musical me fez conhecer muita gente diferente no conservatório, crianças, adultos, velhos e adolescentes com a voz em transição. Em Dores, a cabeça entre câmeras e contrabaixo e o trabalho da Secretaria de Cultura ampliou ainda mais minha rede de contatos e pessoas que respeito e cujo trabalho eu admiro.

Houveram também momentos românticos, uns rápidos, outros momentâneos e outros mais duradouros, entre pausas de semi-breve ou o período de vestibular. Talvez esta tenha sido a maior lição que aprendi em 2010. A me relacionar melhor com as mulheres, não ser alguém que só quer delas a carne ou momentos que serão momentos no passado. A gente às vezes se expõe a situações, se arrisca, e acha que está certo.

Mas eu pensei. E muito. Passei por cima do meu orgulho, de um espelho e das coincidências que a vida nos apresenta. Pensei na minha integridade. A gente acerta errando e erra acertando. Talvez meu maior acerto foi enfrentar o medo de tomar uma decisão que à primeira análise poderia ser a errada.

Fechei 2010 pensando. Refletindo com apenas duas metas para 2011. E comecei 2011 colocando a cabeça e o coração no lugar.

aureliomasr

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cotovelos Na Janela

Pra quem tem orkut, uma comunidade que resume bem o que quero dizer neste texto é "O bom de cidade pequena é que se eu não sei o que estou fazendo, alguém sabe". Ou coisa assim.

Um exemplo fácil é a rua da minha casa. De uma esquina a outra, até chegar na minha casa o que mais vejo são cotovelos na janela. Pessoas debruçadas na janela, olhando o movimento. Lembro do meu avô fazer isso também, nessa mesma casa, nessa mesma rua. Mas isso é durante o dia, algumas dessas pessoas são aposentadas e realmente não têm o que fazer (ou não querem fazer). Porém, o que mais me irrita é quando eu chego em casa, alta madrugada, 3, 4 ou 5 da manhã, entrando de carro pelo portão da garagem, ou descalço pra não chamar a atenção por - talvez - estar acompanhado de alguém, é só colocar a chave no portão e virá-la que escuto umas duas janelas abrindo. E me olhando. Dependendo da quantidade de álcool no meu sangue eu cumprimento a pessoa: "Opa! Tudo bem fulano? Posso te ajudar? Tá acordado a essa hora ainda..."

Isso não é de hoje. Há mais de ano haviam pessoas que davam notícias minha para uma determinada pessoa, informando que horas da noite (ou madrugada) eu cheguei em casa, com quem eu estava e que horas saí para levar essa pessoa embora. Honestamente, acho que rolava uma grana boa pra um inútil pagar outro inútil pra ficar de guarda a madrugada inteira cuidando da minha casa. Como se não bastasse, até no portão dos fundos, que é meio que uma "passagem secreta" pra minha casa, tem gente tomando conta. É incrível o fato de que a cidade aqui é movida por gente à toa, cujo único trabalho é saber da vida dos outros, e muitas vezes, saber uma verdade absurdamente aumentada. Só da minha parte posso dizer que segundo a "voz do povo", eu fui demitido do meu trabalho anterior por incompetência e por ter dado um prejuízo de R$ 1 milhão. Eu estive quase colando na porta da minha casa a documentação da minha negociação para saída por livre e espontânea vontade. "A quem interessar possa". 

Não reclamo por liberdade, mas qual o prazer que as pessoas sentem em tomar conta da vida dos outros? Eu mesmo estou cagando e andando pra vida dos outros, exceto dos meus amigos e família (sim, nessa ordem). Mas me irrita muito isso. 

E agora, como todo começo de ano começa aquela porcaria de BBB. Pelo menos o povo agora toma conta de umas vidas diferentes. Mas acho que não é tão interessante quanto a vida real. A vida que aqueles que tomam conta da dos outros não têm, nunca tiveram e nunca vão ter. A vida daqueles que têm calos nas mãos e ideias na cabeça, enquanto para eles, restam somente calos nos cotovelos por ficar tanto tempo na janela.

Esperto era meu avô, que colocava uma almofadinha sob seus cotovelos.