Há uns bons 9 anos iniciei minha carreira de vestibulando. Morava em Guaratinguetá, interior de São Paulo e fui estudar no Anglo, numa sala com mais 144 desconhecidos. Outros 5 eu conhecia de vista. No entanto, em meio a essa multidão, todos os dias eu me sentia sozinho, desgarrado e a prova disso era analisar o mapa da sala.
Visualize um auditório, com três seções de cadeiras. Eu me sentava na coluna do meio, na cadeira da ponta do corredor, e ao meu lado esquerdo, mais umas dez cadeiras. Dia após dia estas cadeiras ficavam todas vazias. As pessoas, passavam, olhavam as cadeiras vazias, olhavam pra mim e continuavam a subir, afim de se sentar nas cadeiras mais ao fundo da sala. Ou simplesmente voltavam e se sentavam mais à frente.
Eu me sentia mal com aquilo. Mas com o tempo não mais me preocupei, afinal, sozinho eu estava, sozinho eu ficaria. Um ano depois eu estava em situação oposta. 9 anos depois, embora longe daquilo tudo, estou cercado por boas pessoas, ótimas pessoas e outras pessoas. Não me importo mais o quão longe ou perto elas estejam ou qual tipo de interesse elas têm em mim.
A mim, só importa fazer o bem a elas. Mesmo que eu me decepcione e elas não façam o mesmo por mim, ainda assim estarei fazendo o que achar melhor para aqueles que estão perto de mim.
Mas o banco ao lado, muitas vezes continua vazio e, esta semana observei no ônibus de estudantes que utilizo para ir ao conservatório que a situação se repetiu e, o banco a meu lado ficou vago. Usei-o para esticar minhas pernas, afinal num único banco vazio não caberiam meus amigos e amigas, não sentariam juntas as pessoas pelas quais tenho carinho. Nem mesmo as dez cadeiras de anos atrás, lá do cursinho comportariam os melhores, os bons e os "só" amigos. Devaneios à parte, me coloquei de volta no ônibus, cuja maioria de passageiros é nada mais que pré-vestibulandos, com a mesma faixa etária que eu me encontrava 9 anos atrás. E haviam pelo menos três pessoas com seus bancos ao lado vazios. Enquanto nos outros havia conversa risos, nos bancos solitários havia retração, fones de ouvido, cabeças baixas e olhares perdidos na água da chuva que escorria pelos vidros do ônibus. Por uma destas pessoas eu tenho uma certa afeição, converso constantemente, tenho como uma amizade próxima. E ela estava sozinha (sim, é uma mulher, mas não quer dizer que estou mal-intencionado). Fiquei observando os trejeitos, as expressões e praticamente senti que se eu (ou qualquer pessoa) sentasse ao lado dela não seria a melhor opção. Por quê?
Simplesmente por se sentar, a pessoa vai sorrir ao ver que alguém irá lhe fazer companhia. Mas e se ela não estivesse afim de companhia, ou poderia pensar "sentou aqui só porque estou só". Seria uma felicidade plástica, indiferente. Seria só um momento e talvez, um momento não fosse o suficiente... Talvez um oi não seja suficiente.
Eu precisaria de mais. Eu sozinho no meu banco de cursinho há 9 anos atrás precisava de amigos, de muitos amigos. Eu 9 anos depois não preciso de um banco vazio.
Tenho meus amigos e por estranho que pareça, meus melhores momentos acontecem quando estou sozinho tendo ideias.
Amo minha vida e meus amigos.
No entanto, me apaixono dia após dia pela solidão.
aureliomasr
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A Moeda Tem Dois Lados e a Gaveta Um Fundo.
Final de mês todo mundo normalmente está duro. Duro de dinheiro ou de tesão. Assim estava um dia, bem no último dia do mês de março de 2010. Este foi marcado por um conselho que, pra ele, a princípio pareceu fútil, pois horóscopo é conveniente com seu humor.
E ele estava num péssimo dia.
E seu horóscopo on-line, via Folha de S. Paulo dizia:
"Quer tal encerrar março com uma quebra na rotina? Os astros conspiram pra que você mude um pouco hoje, faça algo novo, imprevisto, que não faz parte da programação. Aprender a ousar, a ser diferente, a fazer de outro jeito são alternativas boas pra você ir ainda mais longe."
Ele ficou intrigado com qual seria o ritual. Se deitar no escuro ouvindo Radiohead? Acender seu narguilé e assistir aos DVD's do Woodstock que ganhara de presente de aniversário no ano passado? Ver Friends? Navegar nas possibilidades do MSN? Imprevisto? Qual imprevisto?
Respostas erradas. Embora ele tenha assistido Friends e feito contatos no MSN.
Logo no início da noite, ele recebeu um email onde era friamente informado que em alguns dias receberia uma encomenda. Uma devolução na verdade. Chinelos, toalha, cobertor, CDs, um certificado de faculdade. Coisas que se esquece, ou que pra ele não são tão importantes quanto julgou que fosse para quem os devolveu. Foi aí que seu dia terminou e com ele, tudo que acontecera.
Eis o imprevisto previsto pelo horóscopo, conivente com a situação e incoveniente com o humor dele.
Então, face ao imprevisto. Ele ousou. Em resposta ao email, não desejou mal, não é do seu feitio. Apenas desejou ao remetente e a toda raça humana (em destaque, ele excluiu daí, os mortos, que nada têm a ver com isso) somente "o básico". E a si mesmo, desejou o melhor. Enquanto ele delineava o email com palavras que permeavam o limite da sua paciência e outras que apaziguavam e ao mesmo tempo atenuavam suas impressões ou falta delas. Ele estendeu a mão e abriu uma gaveta. Ironicamente, tudo ainda estava ali. Até certa hora, por fé, esperança. Depois, por puro esquecimento. As marcas, os cheiros, palavras e imagens escondiam o fundo daquela gaveta que outrora guardara remédios, cigarros, porta-copos e afins.
Com a angústia de meias palavras frias e outras gélidas, seu ritual foi encontrar o fundo daquela gaveta. E sim, ele limpou a gaveta. Tirou tudo que não lhe interessava mais, deixando apenas o necessário para homens como ele: óleo de massagem, kama sutra e alguns jogos.
E ali estava o fundo da gaveta, marrom, quase negro.Mas a gaveta enfim, estava vazia. Onde restaram elementos que somente preenchem o vazio de uma vida vazia. Contraditório...
O que ele tirou simplesmente fez parte do que ele luta para superar. Ou não mais irá se preocupar. Dando continuidade ao ritual, ele analisou minuciosamente cada elemento que ali estava, encaixando-o em seu devido espaço no tempo, em sua devida cronologia sentimental e tudo que ali estava envolvido. Palavras ousadas. Ora frias. Um lado da moeda até então incompreendido por ele. Todas as respostas para todas as perguntas, estavam ali, do seu lado o tempo todo. Era só esticar o braço.
No entanto, ele fechou os olhos, o corpo, a alma e o coração. E ficou do outro lado da moeda.
Ele se fechou, para nunca mais voltar.
Hoje embora um tanto quanto tarde, eu consegui entender a presença dela na minha vida, ao me acompanhar e lutar junto comigo, face às minhas dificuldades e às quais eu simplesmente transferia a ela, enquanto ela queria me salvar. E assim, as duas faces da moeda nunca se olharam, e nunca ficaram no empate, um dos dois lados teria que levar vantagem.
Hoje embora um tanto quanto tarde, eu consegui entender que para esquecer, não importa quem tenha errado, é preciso um pouco de irritação. Um pouco de aversão. Esperar não deixa que ninguém esqueça do passado.
E assim, eu pude ver novamente o fundo da minha gaveta, livre e incoerente.
Marco Aurelio.
aureliomasr.
Simplesmente, "ele".
quarta-feira, 31 de março de 2010
Vale mencionar que...
Até que enfim o BBB acabou. Não aguentava mais tanta futilidade nos assuntos... Coisa imbecil que é o BBB. Esse povo devia ler 1984 de Orwell.
Em tempo...outra hora eu escrevo mais sobre isso. Enquanto isso, leiam Feliz Ano Novo!, escrito pela Letícia do Bananas e Laranjas. Ótimo texto.
Abraços!
aureliomasr
Em tempo...outra hora eu escrevo mais sobre isso. Enquanto isso, leiam Feliz Ano Novo!, escrito pela Letícia do Bananas e Laranjas. Ótimo texto.
Abraços!
aureliomasr
Absolutely Alive...
Nós temos que ser cada vez mais fortes pra superarmos nossas expectativas atualmente. E, honestamente, hoje, vamos por tópicos pra não ficar na mesmice...
- Depois de ver "Na Natureza Selvagem", "Control" (história do Ian Curtis do Joy Division), terminar de ler a biografia do Kurt Cobain, e fazer uma equação simples como: Society + Isolation + Self-Destruction, o resultado em mim foi altamente arrebatador. Mudei de vida, me vejo confiante nos meus passos, embora um pouco inseguro ainda e sinto em mim um pouco desses três caras que tenho como meus ícones atualmente e, antes que pensem que estou afundando na heroína (Kurt), pensando em me matar (Kurt e Ian) depois de largar tudo pra trás (Alex, do filme Na Natureza Selvagem), eu explico:
- Alexander Supertramp: abriu mão de tudo e foi buscar seus ideais, onde quer que eles estivessem.
- Ian Curtis: seu isolamento criativo e a forma de tomar as decisões imediatas e seu momento de amor-livre, onde ele declara amar duas mulheres e deixa a questão no ar...somos obrigados a gostar somente de uma pessoa?
- Kurt Cobain: sua dedicação, esforço e garra para fazer o Nirvana acontecer. Só até aí. Quando a droga entrou para escondê-lo da sua frustração (irreal), não me interessa.
- Embora eu me sinta mais confiante, aspectos técnicos estão me testando os limites. Kurt tinha sua guitarra, Ian tinha lápis e papel, Alex, a estrada. Eu, minhas ideias e um computador que não as suporta. Hoje foi um dia pra testar minha paciência. Até agora, 3 X 0 para o PC.
- De todos os três, uma lição e várias coincidências. A lição: corra atrás de seus ideais, sonhos, metas..o que for. Mas não deixe de tentar conquistá-los. As coincidências...acho que tenho um pouco da habilidade dos três em se comunicar, mas ao mesmo tempo a capacidade de me isolar do mundo, sem deixar que o mundo se isole de mim.
- Existem também fatos isolados, como ter me formado em Administração, e estar frequentando Conservatório de Música, aprendendo flauta transversal e artes cênicas, e trabalhando com bandas de metal em produção de vídeos deveriam deixar minha cabeça uma bagunça. Mas só posso dizer que estou feliz.
- Dessa forma, talvez a melhor forma de me definir para 2010 como alguém focado simplesmente em crescer, aprender e conquistar. Sejam méritos, amigos - o que mais fiz este ano - ou simplesmente, eu ter dentro de minha consciência, a certeza e a paz de que todas, mas todas atitudes que tomei desde o início de março são pura e simplesmente meu desejo e minha gana em ser alguém a quem todos não irão se esquecer.
- Como eu disse hoje ao Bruno, um dos meus poucos e melhores amigos, pela primeira vez na minha vida sou o centro dela. E não estou sabendo administrar muito bem esse fato. Porém, nunca deixarei de colocar aqueles que amo e que prezo no centro da minha vida quando eu achar necessário.
Este sou eu, hoje.
E em tempo... apenas que não se preocupem, meus leitores invisíveis, eu não tenho instintos suicidas como Ian e Kurt.
Um abraço a todos
aureliomasr
segunda-feira, 15 de março de 2010
Eu, Into The Wild...à minha maneira...
No último sábado fui a Conselheiro Lafaiete com uns amigos da banda Sacrament, que executaram no Rising Metal Fest. Fui pra trabalhar, filmar a apresentação dos caras, e enfim. Lógico que me diverti bastante também, vi outras bandas, sons que não escuto normalmente. Estou abrindo minha mente para o metal, e confesso que estou aprendendo a gostar.
No entanto, pra mim, um dos momentos cruciais foi a volta. O pessoal é todo de Barroso, há 10 km daqui de Dores de Campos, onde (estou) mor(t)o, e não havia meios de eu voltar pra casa. Chegamos no trevo às 5 da manhã. Eu, com a barriga doendo de fome, com sede, com sono e 75% embriagado, isso tudo aliado à certeza de que àquela hora eu não conseguiria carona. Pensei em sentar no ponto de ônibus e esperar. Mas, raciocinei e vi que, se eu sentasse, eu ia dormir, e poderia até ser assaltado.
Então, um raio caiu no horizonte e por mais estranho que seja me iluminou a mente com uma ideia, que talvez não fosse a melhor, mas foi o que eu fiz. Vim embora andando. Uma caminhada de 10 km a pé... Como estava começando a chover, decidi que iria precisar me proteger. Me tampar. Então, um guarda-chuva improvisado foi providenciado. Outra placa pra coleção. Peguei uma placa, pus sobre a cabeça e vim caminhando.
O que me ocorria nessa situação, e ao mesmo tempo, bêbado... Me sentia no filme Into The Wild...caminhando sozinho à beira da estrada (pra ajudar liguei o mp4 e fiquei ouvindo as músicas do filme, cantando alto - afinal, estava sozinho), apenas com uma mochila nas costas e uma estrada adiante. Mas, como toda alegria dura pouco, apareceu uma carona, quando eu já tinha caminhado por uma hora, cerca de 5 km, conforme o motorista que me deu carona.
Por um lado, foi bom ter vindo mais rápido pra casa, mas confesso que estar ali sozinho, daquela maneira me deixou em paz comigo mesmo, pois não havia uma só alma pra me falar nada. O que fazer, como fazer. Eu simplesmente estava indo, embora soubesse como e porquê. E, ainda mais, voltando à comparação com o filme... Christopher McCandless se tornou Alexander Supertramp ao colocar o pé na estrada, se virar as costas pra sua casa e de frente para o mundo. Marco Aurélio continua Marco Aurélio enquanto caminha de volta pra casa. E, a estrada por onde eu estava, conheço-a muito bem, por passar ali de carro. Mas a pé, é interessante como observamos detalhes que a velocidade do carro (e nosso foco na direção, óbvio) não nos deixam reparar. A simplicidade e a complexidade alinhadas num lugar tão comum. Um contraste berrante do cinza do asfalto cortando um morro vermelho que parece sangrar com a o ar úmido da manhã.
É. Foi um bom passeio. Mas uma volta que me abriu ainda mais a mente para novas realidades. Esses 5 km me disseram alguma coisa.
Um abraço
aureliomasr
( PARÊNTESE )
Somente pra expressar minha irritação naqueles mais preocupados em tomar conta da minha vida e tirar conclusões por si só, sem saber do que realmente aconteceu.
E o pior é ter gente que convive comigo todos os dias, da minha família, e ainda acreditar nisso.
É, o amanhã se aproxima do novo cada vez mais, senão eu acabo ficando velho.
Vão todos se fuder, mesmo que não leiam meu blog.
Tomem conta das suas vidas.
Marco Aurélio.
E o pior é ter gente que convive comigo todos os dias, da minha família, e ainda acreditar nisso.
É, o amanhã se aproxima do novo cada vez mais, senão eu acabo ficando velho.
Vão todos se fuder, mesmo que não leiam meu blog.
Tomem conta das suas vidas.
Marco Aurélio.
Movimentação, Música, Musas e Motivação
Ontem à noite, minha banda tornou a se encontrar para nosso ensaio semanal. Foi interessante ao alternarmos entre nossas canções e as covers que executamos e, aliado ao calor somado com um bom vinho gelado, ontem eu dei o sangue e suor no ensaio. Eu suava como se estivesse correndo debaixo do sol com blusa de lã...pingando suor no chão, no baixo, todos nós descendo o braço nos instrumentos.
Foi foda.
Mas era recorrente enquanto eu tocava, uma imagem muito forte, um show, num lugar qualquer, com o sol rachando, galerão curtindo o som, tomando suas cervejas...e no meio desse povo havia alguém conhecido. Uma mulher especificamente. Então eu percebi que, entre ensaiar na minha casa, só com uns amigos vendo ou tocar num lugar cheio, todo mundo precisa de uma inspiração que vai além disso.
Essa mulher não precisa ter cara. Muitas vezes, você nem precisa conhecê-la. Nem sempre precisa ser a mesma, elas podem ser uma a cada tempo, a cada lugar.
Isso, se ela realmente existir.
É a musa.
Aquela que inspira você, que te dá motivos pra fazer as coisas sem ter feito nada. Apenas, por te dar (às vezes sem saber) força pra tocar, pra compor... Ela nos motiva a dar o sangue naquilo que você faz.
Amigos e amigas muito próximos também fazem isso. E ontem eu tinha bons motivos pra dar o sangue no ensaio. Eu estou bem. Simplesmente por alguns momentos agradáveis nesse final de semana.
E, em tempo... Desplacados está de volta. Mais forte do que nunca.
E eu, estou em pé. Mais forte do que nunca.
Projetos profissionais a longo prazo surgindo. Grandes expectativas.
Um abraço a todos os meus leitores invisíveis,
aureliomasr
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