Pelo fato de eu morar numa cidade do interior consigo visualizar algumas coisas que são característicos desse tipo de lugar. E, um dos pontos que me chama mais a atenção é a religiosidade das pessoas ser mais aflorada. A população é freqüentadora assídua das missas, cultos – cada um no seu devido lugar – e por menos que deveria, a missa tornou-se um evento social, onde as pessoas são reconhecidas por sentar sempre no mesmo banco, encostar-se à mesma pilastra ou simplesmente por ir à igreja e ficar do lado de fora batendo cartão. Além de ser um desfile de moda, onde as pessoas colocam suas melhores roupas, calçados, passam litros de perfume e quilos de pó compacto.
Eu falo isso sem ir à missa. Mas o quanto já fui obrigado, e pelo fato de ter minha opinião formada quanto à religião e crenças em geral, prefiro não seguir nenhuma. E aliado a isso tudo, faço minha crítica direcionada ao catolicismo.
Quantas pessoas eu conheço que têm alguma atividade com a igreja da cidade, ajudam na missa, em eventos e etc., quantas outras eu vejo todos os dias indo para o trabalho com o terço na mão, rezando, ou que carregam medalhinhas de santos em seus crachás. Eu acredito que elas rezam para terem serenidade ou segurança para trabalhar bem. Mas a grande maioria dessas pessoas, são as primeiras a demonstrarem no dia a dia uma pobreza de espírito superior às outras, além de usarem artimanhas para puxar o tapete dos outros, e utilizam de muita falsidade com as pessoas que convivem. Eu tenho vontade de perguntar pra quê serve aquela imagem de santo na mesa, ou onde está a “serenidade”. Eu observo estas pessoas e como elas conseguem manipular os outros de acordo com seu interesse. E com toda a imagem de “eu sou de Deus” pergunto-me realmente por quem elas intercedem? Acho que é pela outra parte.
É muito fácil posar diante de uma sociedade toda como um dos “escolhidos” de Deus para ajudar na sua tarefa de conduzir seu rebanho através da missa. Mas todos conhecem a expressão “lobo em pele de cordeiro”. Esse rebanho quando sai da igreja, vira uma matilha. E essas pessoas que posam de santas, meu deus... São as piores na minha opinião, então, eu pergunto... Qual é a necessidade de se ter uma religião, de seguir uma crença por obrigação sendo que o quê você mais pensa durante a cerimônia é na coitada que está na sua frente e sabe que o marido a trai e nada faz, ou pensar que sua vizinha de banco é uma fofoqueira e que você queria que outra pessoa se sentasse do seu lado.
O Deus da Igreja Católica é conhecido como um deus repressor. Que julga para escolher. E isso é refletido nos seus fiéis, que vivem de maus julgamentos, mesquinharias, falsidade e interesse somente no seu interesse, não há interesse em ajudar o próximo, a não ser que o próximo seja seu reflexo num espelho. Honestamente, eu não ponho os pés na igreja sem necessidade, e ainda mais aqui, onde sou considerado ateu pela minha forma de pensar. Então, fodam-se essas pessoas. Não devo satisfação a nenhum deus a não ser aquele que me é soberano e de todas as nações e cores, e pode ser escrito com “d” minúsculo sem considerar um pecado. Não acredito naquele que ergue templos, igrejas, enriquece seus representantes cada vez mais e se esquecem dos motivos que levaram algumas das pessoas de bem àquela celebração. A missa segue no piloto automático. Padre fala povo responde. Banda toca padre fala povo boceja. Isso é ridículo.
A fé é um sentimento íntimo de cada um e não precisa ser mostrado pra ninguém, cantando, rezando, abanando papéis, dando dízimo. A fé mora dentro de quem realmente quer o bem da Humanidade, fazendo a diferença dia após dia, com honestidade, paz e boa vontade. Não precisa ser um gesto grandioso. Basta a boa intenção e o sentimento.
E é assim que eu vivo em paz.