quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Musicalmente falando: Stereophonics

Eu sempre digo que curto um som depressivo, mas recentemente descobri que esse não é o termo correto. Gosto de músicas que têm melodia e letras melancólicas, mas que possuem um crescendo e que ao final deixam aquela pontinha de esperança e satisfação. Curiosamente, tenho escutado muito Stereophonics recentemente e muitos do que tenho escutado e lido em suas letras tem se apresentado pra mim com um um valor muito alto no fator emocional.

Músicas que valem a pena ser pesquisadas do Stereophonics e que sintetizam bem o que tem mexido comigo são sons como "Stone", "Drowning", "Handbags and Gladrags", "Feel", "Superman" e um pouco da óbvia "Mr. Writer. Lógico que o Stereophonics tem mais músicas, talvez até melhores (ainda não ouvi o último álbum deles, de 2009), mas estas têm um significado e um peso especial pra mim... 

Eu deveria demais parar de basear minha vida nas músicas que escuto, ou então ouvir coisas que me alienassem e fizessem com que eu ignorasse tudo que sucede à minha volta, mas não consigo. E, os motivos específicos de cada música, não explicarei, embora gostaria muito. Talvez alguém entenda, talvez exista algo nas entrelinhas.

Transcrevo abaixo, trechos de cada uma que têm me feito refletir sobre mim mesmo, sobre diversas situações opostas que tenho vivenciado...

Stone:

"And I feel like stone / Yes I feel ice cold / I pick myself up from the ground / Sick to death of lying down / And now I have to find you once again.

You’re in my soul / You’re in mind  / But I don’t know where you are now / You’re in my soul / You’re in mind / But I don’t know where you are now."


Mr. Writer:
"Are you so lonely / you don't even know me / but you'd like to stone me"
"And then you go home / with you on your own / what do you really know"

Feel:
"Here it comes again / Like the first time again / I cant sleep / I watch the rain / But im happy again / How can this be / Why did this feeling / Creep on up on me"
"It makes you a cheat / It makes you a liar / Step out of the fire / It gives a spring in the step / Smile on the face / Sing like a bird / Ya running the race again / What makes you bad / Makes you feel much better / Than you ever can"

...principalmente pela oposição de sentimentos que estes versos trazem à tona...

Drowning (na íntegra):


I don't know what, i don't know what is wrong, oh no,
is Karma gonna get me,
times i told i see, its not real,
wanna feel, wanna feel,
like i did before,

Mornings I can't breathe
Wind crashes over me, drowns me 
minds running rings around me
it take me time to see, what is real,
wanna feel, wanna feel, like i did before, like i did
before,

time, changes things,
like i never thought,
like i never saw,
time changes me,
like i never was,
oh no,

I'm thinking back to what i was,
I see my face wrapped on the floor,
And I love you being around, i say it again i'm not
fucking around,
i seen it before, i'll see it again,
its knocking my door, and i never pretend,
i'm down on my knees and i don't know why,
to go to find my way back home,


I'm drowning x 4


Aviso aos desavisados e mal-intencionados de plantão: NÃO, isso não tem nada a ver com meu passado recente. E sim com meu presente cada vez mais frequente!

São músicas que valem a audição, reflexão e mais ainda a interpretação do vocalista (que me fugiu o nome e estou com preguiça de pesquisar agora), com sua voz meio rouca, meio fina e muito alta! Mês que vem tem show deles no Brasil, e uma pena, não poderei ir, mas seria uma boa...

Talvez meu sumiço do blog seja devido à this mess I'm in, e pelo fato de eu não estar disposto a me expor mais tanto e ser chamado de nomes como desalmado e por aí vai. Fora também que nem tempo tenho tido pra mim, o que por um lado é excelente!

Abraços a todos meus leitores invisíveis.
aureliomasr

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mês Estranho...

Esse mês anda estranho...estou com muitas dúvidas, com pouca inspiração pra escrever. Motivos pra escrever até que não me faltam, mas faltam metáforas para poder publicá-las.

O principal é: onde eu vou chegar no meio de tudo que ando fazendo? Não é nada profissional. É pessoal mesmo.

Talvez as diferenças pesem. Talvez as decisões mudem. Talvez eu não saiba de nada.

Espero sair ileso desse turbilhão, e que eu não machuque ninguém.

aureliomasr

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dos nossos amigos

Pra quem tem orkut, facebook ou qualquer outra rede social, cada vez mais temos mais "amigos", "seguidores" ou fãs. Eu do meu lado tenho um tanto bom, é verdade. E verdade também que muitos eu não conheço. Mas dos amigos que vou falar são aqueles de carne e osso.

Óbvio que não vou citar todos, e nem falar de todos, até porque não dá... já pensei em anotar antes de escrever o que vocês irão ler agora, mas a ideia é tão constante que não consegui segurar por muito tempo. Primeiro, a gente não pode medir amigos, sempre uns mais próximos, mais agarrados e uns que são excelentes amigos. Os primeiros pra mim, são os irmãos que não tenho e são poucos. Mas o que mais me intriga é que cada um dos amigos deixa uma marca sem saber e é o que eu mais presto atenção...

Simples. Eu me chamo Marco Aurélio. Alguns amigos me chamam pelo nome. Outros de Curélio - o Dé é um ótimo exemplo! -, alguns de Corelho, o Guto e o Samuel Doido de Zuréio... do outro lado, o Jeffé quando me encontra diz "E aí Marcos", já o Lucas diz "Fala Marco". Philippe tbm, dificilmente me chama pelo nome completo.. "Ô Marco". Deleon e Edmilson dizem "Fala Marcão". São alguns exemplos... E eu do meu lado tbm tenho uns bons exemplo... Cada um eu tenho um apelido específico que creio ser a forma de marcar a relação com aquele amigo... Vamos pela lista... O Dé eu cumprimento de "Faaala Japoneis", Silas é "Fala Silordi"... o Lucas eu chamo de Luquinha... e tem os inseparáveis Saulim e Junim, sendo que o Saulo virou "Minha Nega"! E sem contar o Ivan que desde o carnaval e o "tanga, tanga, tanga" do Mario Bros, a gente se cumprimenta "E aí Tanga, blz?"...hehehe

Não dá pra lembrar de todo mundo, óbvio... mas me lembro a situação que me chamou atenção pra forma como comecei a prestar a atenção nisso. Infelizmente, foi num momento muito ruim pra muitos desses amigos, pois foi quando perdemos um grande amigo, companheiro de muitas horas, músicas e festas. O Fred. Esse ano serão três anos da morte (trágica) dele. Eu me lembro de estar no cortejo, chegando no cemitério, abraçado ao Saulo e eu dizia "Acabou cara... acabou o Fredinho" e isso veio à minha mente pois era a forma como nós brincávamos, eu, ele, Juninho e Saulo. Era uma ênfase diferente quando um chamava o outro, "Marquinho", "Saulinho", "Juninho"e "Fredinho"...e ali eu percebi uma das formas que a gente marca sem saber. Amigos, irmãos, nunca se separam, nunca acabam. Mesmo que um grande amigo não saiba do seu maior segredo, que você não desabafe pra ele e nem ele pra você, é sempre um amigo que vai te estender a mão.

Em 2010, eu conheci muita gente até então. Mtos amigos, mtas amigas. Revivi algumas amizades antigas. E colegas ou não, amigos ou irmãos sempre haverá alguém ali por você e eu acredito nisso.

Em 2010, se não fossem meus amigos e as pessoas que conheci na natureza selvagem, eu talvez não estivesse tão bem quanto estou hoje.

abraços a todos,
aureliomasr

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Enjoy The Silence

Canso de repetir pra mim mesmo, fique em silêncio. Guarde suas experiências ou conquistas dentro de si e comente-as somente quando (achar que) for devido.
Vai ter que ser assim mesmo. Não é desconfiar de quem está próximo de mim, mas o meu lema agora é

"Prosperidade caminha em silêncio".

Não mais abrirei desnecessariamente minhas conquistas. "Comentar" inocentemente com um ou outro está me custando muito... mau-olhado, olho-gordo, praga, inveja...



E quiçá, minha saúde.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Versão Brasileira?

Há alguns dias atrás rolou um show do Capital Inicial numa cidade próxima aqui de Dores de Campos e muitas pessoas, inlcusive amigos meus foram. Eu não fui pois mês que vem tem show do Pouca Vogal (Gessinger + Leindecker) e honestamente, esses dois estão num patamar musical muito superior ao que o Capital fez após o Acústico MTV. O povo daqui em geral ainda está com a febre "capital", que logo deverá ser superada pela febre do Jota Quest que em algumas semanas fará um show em São João del Rei.

Mas o que mais me intriga em algumas vezes é o desconhecimento das pessoas sobre algumas músicas cruciais na carreira de um artista. E mais ainda, será que o frontman da banda, Sr. Dinho Ouro Preto quer colher os louros da vitória sobre algo que não é dele, e nem a iniciativa foi dele?

Eu odeio até o fundo da minha alma a versão da música "À Sua Maneira" interpretada pelo Capital. Ah...você não sabia disso? Achou que a música era do Capital? Sinto muito.

"De Musica Ligera" é da banda argentina Soda Stereo, lançada em 1990 no álbum Canción Animal e foi eleita a quarta melhor música de rock latino da década de 90. A mesma música foi regravada em 1996, no álbum Nove Luas pelos Paralamas do Sucesso, com o mesmo nome e tradução mais próxima à letra original. O líder do Soda Stereo, Gustavo Cerati, é um parceiro de longa data de Herbert Viana, do Paralamas. O que o Capital fez foi adequar uma música ligeira à maneira deles. E, na minha opinião, cometeram um erro crasso. O Capital lançou "À Sua Maneira" em 2002 no álbum "Rosas e Vinho Tinto". 

Abaixo, para que vocês comparem, estão vídeos das três músicas, todas em suas versões de estúdio, para que as comparações sejam justas. Soda Stereo executando De Musica Ligera, o áudio do Paralamas no CD Nove Luas e o clipe do Capital Inicial tocando "À Sua Maneira". Em seguida, as letras em português comparadas ao original, em espanhol. E eu não vou comparar só porque o Paralamas canta "de música ligeira" no refrão, enquanto o Capital canta "à sua maneira". Mas para mostrar que certas coisas não deveriam nunca ser feitas.

Comparando as letras: "De Musica Ligera" (Soda Stereo) X "De Música Ligeira" (Paralamas do Sucesso)

Primeira Parte:
Ella durmió al calor de las masas
y yo desperté queriendo soñarla. 
Algún tiempo atrás pensé en escribirle
que nunca sortée las trampas del amor. 


Ela deitou, seu calor se espalhava
Eu despertei e ainda sonhava
Algum tempo atrás, escrevi numa carta
Que nunca escolhi as armas do amor


E então? Herbert e Cia adaptaram a letra não só pela fonética e pela métrica dos versos, mas também certas palavras traduzidas ao pé da letra não cairiam bem melodicamente, mas percebam que a essência da música permanece inalterada... Segundo o Michaelis, "masa" é mistura, volume, conjunto, massa e "trampa" é armadilha, artifício. Ou seja, as palavras usadas por Herbert Viana estão dentro do contexto lírico do original e ainda é uma música que fala do amor por alguém, mas não tem nada da pieguice romântica usual de muitas das canções dos anos 2000 lançada pelo Capital Inicial.

Segunda Parte:
No le enviaré cenizas de rosas, 
ni pienso evitar un roce secreto. 


Não lhe enviarei mentiras e rosas
Nem penso evitar o toque secreto

Aqui perdemos somente uma palavra: “cenizas” (cinzas) foi trocada por mentiras. Um diferença razoável, mas que em nada altera a música como um todo.

Refrão:
De aquel amor de música ligera
nada nos libra, nada más queda.


E daquele amor de música ligeira
Nada nos livra, nada mais resta.


Preciso falar alguma coisa?

Comparando as letras de “De Musica Ligera” (Soda Stereo) X “À Sua Maneira” (Capital Inicial)

Primeira Parte:
Ella durmió al calor de las masas
y yo desperté queriendo soñarla. 
Algún tiempo atrás pensé en escribirle
que nunca sortée las trampas del amor. 


Ela dormiu no calor dos meus braços
E eu acordei sem saber se era um sonho
Algum tempo atrás pensei em te dizer

Que eu nunca cai nas suas armadilhas de amor...

Vamos lá: o calor das massas, um calor que se espalha foi transformado no “calor dos meus braços”. Acordar sem saber se era um sonho enquanto o Soda ainda iria sonhar com ela. As armas e artifícios do amor expostas pelo Soda e Paralamas viraram joguinhos de música sertaneja com a palavra “armadilhas”. Assim, a música não fica densa com uma palavra forte (armas) e mais fácil para o povão inculto engolir.

Segunda Parte:
No le enviaré cenizas de rosas, 
ni pienso evitar un roce secreto. 

  
Não mandarei cinzas de rosas
Nem penso em contar os nossos segredos


Aqui, ponto para o Capital Inicial, que seguiu a letra original ao cantar as cinzas de rosas (mas também, talvez para ficar “diferente” da versão do Paralamas). Mas esse ponto ganho é perdido, deturpado e assassinado ao cantar “nem penso em contar os nossos segredos”. Quem falou em contar segredos??? A música ligeira é o amor passageiro, um amor fugaz, com a mesma duração da música” Não dá tempo de ter segredos a serem contados! O segredo é a relação rápida, um toque secreto que dá arrepios na pele e que ambos sabem do que se trata. Não tem segredo nenhum a ser contado Dinho!

Refrão (a pior parte):
De aquel amor de música ligera
nada nos libra, nada más queda.


Naquele amor à sua maneira
Perdendo o meu tempo a noite inteira...


Essa parte dispensa qualquer comentário. Simplesmente terrível. Não perco meu tempo ouvindo esta versão do Capital.

Aqui temos somente a comparação das letras. Quem tiver paciência e curiosidade abaixo estão as três músicas em suas versões originais. Para o Soda Stereo e Capital estão os clipes oficiais. A qualidade e produção dos vídeos não é passível de comparação, dada a diferença de 12 anos entre os respectivos lançamentos. O Paralamas nunca lançou clipe oficial para esta música.

(Preferi não incorporar os clipes dessa vez, para evitar um post extenso)

  


Xingamentos pelo meu radicalismo nos comentários em 3...2...1...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quanto a gente vale? Quanto custa uma atitude?

Eu não sou do tipo de pessoa que se impressiona com facilidade, acho que tenho o estômago forte. Mas há certas situações que me fazem pensar quanto vale o ser humano, aquele que se acha um forte indestrutível. E quanto vale a humanidade que faz vista grossa para certas coisas. 

As usual, vou explicar. 

Em um espaço de tempo de duas semanas, que eu me lembre, me deparei com duas situações de auto-destruição, se assim podemos dizer. A primeira foi em Barbacena. Na situação, eu estava sentado num ponto de ônibus esperando para voltar pra casa e conversando com um conhecido que estuda comigo em São João del Rei no Conservatório de Música e que esperava pelo mesmo ônibus que eu iria pegar. Do nada, surge um homem, mancando e simplesmente deitou no chão, à nossa frente. Ele deitou, como se deita numa cama. Ele não caiu, nem tropeçou. Um momento de silêncio, eu e o Delmário nos olhamos sem entender nada daquilo. Ele então comentou: "É goró." E realmente, o cara exalava um odor etílico, como dizem os policiais. No ponto que estávamos, além de nós dois estavam mais umas 10 pessoas, e as pessoas olhavam aquilo como se fosse nada, algumas pessoas que transitavam pela calçada, pulavam por cima daquele corpo no chão. E eu, pensando o tempo todo "o que eu faço? O que eu faço?". Havia dentro de mim algo que me dizia, "Pô, dá uma mão pro cara, não custa nada... se ele não aceitar, pelo menos você tentou." 

Eu não tentei. Não tentei talvez por vergonha do que as outras pessoas poderiam pensar de mim. Não tentei talvez por preocupação em perder o ônibus. Eu só não fiz nada e fiquei com aquilo corroendo minha cabeça depois. Sempre tem alguém que comenta nessas horas... "O cara bebeu, tá cheio de problemas, tá afogando as mágoas no fundo do copo.". Mas eu acho que quem tem problemas são pessoas que, como eu, não agiram. Meu ônibus chegou, eu entrei, e o homem ficou lá, estendido no chão, debaixo de um sol escaldante.

Ontem, novamente. Eu estava em São João del Rei, pra cumprir uns compromissos profissionais, outro bêbado esticado na calçada. Dessa vez, as pessoas observavam de longe, da porta das lojas ali por perto. E eu fui um dos que passaram por cima sem tomar muito conhecimento do que estava se passando ali. Tudo bem que não dá pra salvar a pátria todo dia, e, eu estava sem almoço, precisando voltar pra casa e trabalhar.

Então, se pararmos pra pensar... nós só valemos aquilo que nos interessa. Em duas situações idênticas eu tive duas reações diferentes, pois, na primeira, foi diante de mim que tudo aconteceu. Na segunda, o cara já estava no chão e eu estava com pressa. Então, eu me tornei um daqueles transeuntes que vi em Barbacena, pulando por cima do bêbado no passeio. 

O que devemos fazer nessas horas? A mãe de uma grande amiga minha chama ela de "Madre Teresa de Calcutá", pois ela sempre ajuda seus amigos bêbados, reboca eles pra casa... Mas e aí? Não podemos simplesmente ajudar qualquer um ou DEVEMOS ajudar a todos em qualquer hora e qualquer lugar? Deveríamos, mas nem todos conseguem superar algumas barreiras como preconceito, pudor, orgulho e vergonha. 

Quem realmente vale alguma coisa são as pessoas que têm atitude, pois nós, quando não fazemos nada, também não valemos nada. Cada um tem seus problemas, suas fraquezas. Mas fracos são aqueles que conseguem ver isso tudo e não enxergar uma realidade triste e a falta de compaixão em si mesmo, e fazer alguma coisa. 

aureliomasr

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ser adulto ou ser feliz?

Amanhã faço 27 anos.

Não tenho carro, moro com meus pais e estou trabalhando por conta própria desde o início do ano, crescendo aos poucos. Só a última parte me importa. Pessoas normais  com a minha idade já trabalhariam de terno e gravata numa multinacional... Era isso que eu queria pra mim até um ano atrás ou menos.

Pessoas normais, quando adultas tendem a ficar muito sérias, talvez por viverem preocupadas demais com os problemas da vida, do trabalho, da escola dos filhos e a reunião de condomínio. Há certas coisas que nos envelhecem mas são essenciais, como criar um filho ou decidir se o papagaio do morador do 503 tem falado demais e se está mesmo incomodando aos demais condôminos. Ou é algo fundamental ou é uma besteira que nos faz perder preciosos minutos da nossa vida. Eu sinto que, desde que dobrei a casa dos 20, até então vivi tanta coisa que eu deveria ter ficado igual a uma uva passa. Se eu fizer um exame de consciência, talvez eu tenha errado mais do que acertado. No entanto, os erros foram escolhas com base em decisões que eu julgava acertadas. Por exemplo, ficar noivo aos 21 anos, sem ter formado na faculdade e sem ter um trabalho que me sustentasse! Mas a gente aprende. Hoje, casamento é algo distante pra mim. Vontade? Ah... Prefiro morar junto e fugir de toda aquela coisa cerimônia/recepção e babação de ovo. Morar junto deve ser melhor. Se der errado, cada um toma seu rumo e leva o que lhe pertence.

Agora, faltam 3 anos pra eu entrar nos 30. Crise de idade? Talvez um pouco, mas não vou encher minha cara de rugas por conta disso. Na cidade onde moro existe uma expressão que define como "Galo Velho" homens como eu (e mais velhos) que estão solteiros (leia-se: não estão casados) e morando com os pais. Todo ano minha mãe me diz: "É... vou ter que reforçar o poleiro daqui de casa, o galo tá ficando mais velho." 

Prefiro ser feliz a ser adulto. Nas situações em que é preciso ser e agir como um adulto consciente, eu sou. Mas não consigo por exemplo, ser aquele homem que está por demais preocupado com política, com crise de mercado ou, como é comum aqui em Dores de Campos, preocupado também com a vida dos outros. 

Na minha visão, ser adulto é ser consciente, é ser honesto, saber ouvir, saber quando não falar e quando ensinar. É estar ali (seja onde for) pelos outros, e não por mim mesmo. Mas viver a felicidade é não abrir mão de fazer o que eu quiser, como eu quiser e onde eu quiser, mesmo que seja alguma coisa estranha pra um adulto. Mas é minha vontade, é o momento que importa. Então, devo me prender a conceitos antiquados de que "você não acha que é bem grandinho pra isso?" ou me preocupar com o que uma sociedade imbecil vai falar de mim e não fazer o que quero por receio? 

Eu tenho minhas aspirações e, como um adulto, crescido, maduro e consciente, eu quero mais é ser feliz. Não importa nem como e nem onde.