sábado, 24 de outubro de 2009

Auto-Destruição, Cigarras e o Corpo

Quem não tem um amigo, ou conhecido que na pior hora possível consegue te contrariar? Explico... uma terça-feira qualquer, por volta de 20:15, eu na faculdade, uma aula excitante de Gestão Agropecuária e um SMS chegando no celular: "Maior churrascão aqui na casa de fulano". Caralho. A minha vontade era de bater nesse cara... Nos dois. No meu amigo e no patrocinador do churrasco.

No dia seguinte fui mexer com meu chegado. Afinal, sacanagem por sacanagem a amizade continua...quem não gosta de provocar o outro. Mas não é que ele me deu uma resposta interessante?

"Nós somos as cigarras. Você é a formiga."

Isso me fez pensar até onde é interessante ser formiga - se é que eu realmente sou. Todo trabalho tem que ter um pouco de diversão, mas isso é outro assunto pra outro texto. O fato é que eu não me considero totalmente "formiga" porque às vezes a minha cigarra extravasa, até estourar. Como por exemplo sair numa sexta às 21h e voltar às 7:15 da manhã de sábado pra casa. Sem ter ido a alguma balada ou festa. Só saí pra beber e bater prosa com um primo meu. Mais nada.
Mas as cigarras que meu amigo se referia às vezes, a meu ver não são como ele mesmo se considera, afinal um churrasco numa terça-feira, mesmo que incomum é aceitável.

Difícil são as cigarras da auto-destruição. Já conversei e às vezes saio com pessoas desse tipo. Não critico, mas como me considero um "doido são", zelo por estas pessoas. Mas até que ponto a diversão deixa de ser uma coisa saudável? É quando uma pessoa chega ao nível de só conseguir se divertir em certas circunstâncias. Com muito álcool ou alguma droga na cabeça. Não recrimino, mas tudo tem limite, temos que saber nosso limite ou cada vez mais as pessoas precisam de mais drogas pra se manter em pé numa noite. No meu caso, admito que posso me divertir sem beber, mas existem lugares, existem companhias que praticamente nos induzem a beber. Ou a festa está ruim ou as companhias são chatas. Pelo menos bêbado a prosa (parece que) melhora e a gente perde a vergonha pra censurar as pessoas. Mas nem sempre é preciso estar embriagado pra curtir. Mas é uma pena que 99% da juventude da cidade onde moro não pensa assim.

E isso eu ainda estou aprendendo. A não precisar de beber muito ou nada pra me divertir.

Com toda essa auto-destruição, as cigarras que estão em todas as baladas, festas e afins, com seus esquemas sabem o que será o dia de amanhã..a ressaca vem em dobro. Física e moral.
Temos que nos divertir, mas sem os excessos que fazem mal a nosso corpo. Compare algumas fotos de uns anos atrás e as de hoje. Veja suas rugas aumentando no rosto.

Quem foi que disse que a cigarra de tanto cantar estoura?
O corpo das cigarras da auto-destruição uma hora pede arrego...

abraços
aureliomasr

2 comentários:

Natalia disse...

Mto bom o texto!
Nunca tinha pensando por esse ângulo...

PS: Ser formiga é: ter 2 plantões no feriado... snif...

Carlos Frederico Bastarz disse...

eu sempre pensei que beber e fumar fossem maus hábitos. e ainda penso, mas não recrimino. mas acende um cigarro do meu lado, em um local fechado: eu viro fera. sempre assisti (a) meus amigos nos momentos em que percebia que a coisa estava ficando meio envergada. conselho nunca foi demais, mas tembém só dar conselhos não ajuda. sempre notei que os seus pais lhe davam liberdade, mas também lhe cobravam o respeito. o melhor jeito de se descolar, se divertir, é negociar com a mente o que o corpo pode ter. nunca o contrário.

abraços, bom texto!