segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A relatividade das coisas do (de) mundo.

Ou "O cruzamento "diversos pontos diversos".

Semana passada enquanto eu estava trabalhando, conversava com uma representante comercial, responsável por Porto Alegre e alguns clientes que têm unidades nos países da região Sul do Brasil. Perguntei a ela como estava o tempo em POA e estava muito quente na hora e com o céu limpo, sem indícios de chuva. O intuito da ligação era que eu verificasse uma entrega pendente para um cliente em Santa Catarina, onde, estão acontecendo tantas coisas que contrariam aquela velha piada que muitos contavam, dizendo que Deus abençoou o Brasil, nos dando uma terra livre de terremotos,vulcões, e - pasmem - tragédias naturais, mas que jogaria portugueses aqui. Essa já perdeu a graça.

Primeira pergunta: Meu Deus, o que está havendo?
Aqui evocamos a religiosidade do ser humano em última instância.

Lógico, o cliente não recebeu a mercadoria e nem tem previsão, visto que o acesso à sua empresa estava interditado (pelo menos até hoje).

O interessante é que temos muita afinidade, e a conversa rumou para uma abordagem mais filósofica de nossos pontos de vista, e que tiveram como pano de fundo as tragédias naturais ocorridas em SC. O que acontece hoje com inundações é o reflexo da dessocialização e desumanização do homem, bem como a falta de uma orientação social e educação que vem de dentro de casa. Qual a dificuldade em andar 500 metros carregando uma latinha de refrigerante, uma embalagem de biscoitos ou uma garrafinha de água vazia na mão, para enfim destiná-la ao latão de lixo (detalhe, sabiam que já existe coleta seletiva, e que com isso ainda podemos escolher em qual lixo vamos jogar nosso lixo?).
Não. Preferimos jogá-lo no chão. É fácil, prático. E sempre tem um cenourinha/laranjinha ou gari pra varrer depois e, no mais, a chuva leva pro bueiro e depois pro rio/mar e pronto.
Agora multiplique essa atitude por cada cidadão que vc já viu fazendo isso descaradamente,

Segunda pergunta: Como evitar estas atitudes?
A tragédia natural se torna tragédia cultural/social (aglomerando todas as classes sociais num só nicho).

Seguimos então com a criação de ONGs, concertos beneficentes, jogos em prol de determinadas causas, a fim de socializar comunidades, humanizar pensamentos e conscientizar açlões comunitárias cujos benefícios somente serão identificados depois de longos anos (mas a massa é imediatista e não dá a mínima para a causa em si).
Arrecada-se dinheiro, mantimentos, que têm o intuito de manter as vítimas dessa tragédia social. Que foi salva com cultura. Mas, já diz o ditado que "depois da tempestade vem a bonança". E quem vai recuperar os danos materiais, psicológicos, traumas, quem vai reviver os mortos? Por quê isso aconteceu? E finalmente...

Terceira pergunta: Quem é o culpado?
Aqui invocamos os poderes que temos acesso: os poderes públicos.

Primeira das alegações básicas é que "o prefeito não limpou os bueiros, por isso temos enchente toda vez que chove". A culpa é dos políticos, porque, até então, eles são responsáveis por tudo de ruim que acontece no nosso mundo. ERRADO. Nesse caso, culpado são os que jogam o lixo no chão e desrespeitam a natureza. E ainda assim permanece a tragédia cultural/social.
Culpado ou não, são os poderes públicos que têm poder para mobilizar equipes de resgate em massa, soldados do exército em massa, e decidir o destino do seu estado ou cidade, e como recuperá-lo ou abandoná-lo à mercê da sorte. Neste momento o papel de representante deve ser desempenhado com maestria e calma ante a destruição exposta ao mundo.

Não tem culpado.

Não são os políticos, não são os ativistas, não são as vítimas. Não é ninguém.

Nós somente estamos pagando o preço por termos tornado o mundo no que ele é hoje...

1. Um planeta em constante aquecimento...estações do ano fora de seu período normal, dada a enorme quantidade de poluentes que nossa atmosfera e camada de ozônio foram expostos, aliado aos desmatamentos e desequilibrio de vários ecossistemas...

2. Crises financeiras em todo mundo, mercado extremamente instável, todos perdem, muitos quebram e os únicos lugares onde ainda se lê a palavra "prosperidade" são em cartões de Natal... E o fundo da caixa forte já está visível... Para onde foram as economias?

3. Diversidade religiosa ou adversidade religiosa... guerras "em nome de Deus" que duram décadas. Que Deus é esse?

4. Desigualdade social em níveis absurdos onde a retenção de riqueza está isolada, assim como estão isolados aqueles que não têm acesso a uma alimentação decente.

Depois da Guerra Fria, o mundo prosperou exageradamente. Da classe média para cima, todos tinham acesso a tudo que fosse bem material consumível e que logo seria melhorado constantemente...

Todo mundo tinha tudo.

Todos tinham tudo.

E esqueceram do mundo.

Compraram para ter com o que viver e inventar o que fazer.

Mas aquele analista de sistemas, ao jogar um IBM 486 no lixo, lá em 1995, não pensou que computadores não eram (e nem são) biodegradáveis.

As pessoas passaram a ter para viver, e depois, os workaholics no final da década de 90 passaram a viver para ter... E sempre em excesso.

E hoje o planeta reage a toda essa porcariada eletrônica, poluentes, máquinas pesadas que não têm destinos nem se decompõe... o planeta reage morrendo. Toda esse porcariada que julgamos serem necessárias e que compramos para viver está nos matando.

Quanto mais vivermos, menos viveremos.

Qual mundo você espera que seu filho encontre daqui a 30 anos?
Qual mundo você quer deixar para seu filho daqui a 30 anos?
Você quer ter um filho e deixá-lo no mundo que estamos anunciando para daqui a 30 anos?

Quanto mais quisermos ter, menos vamos poder e já esquecemos do que é ser.
Ser é ter. Ter é ser.
E onde chegamos, na auto-destruição do planeta como um todo, reflexo das nossas ações.


Por menos que pareça, para mim há esperança. Para mim, a Terra é uma peça num tabuleiro de xadrez chamado universo e comandado por Deus.

Se não agirmos logo, forças ocultas nos colocarão em xeque-mate.

Vamos ajudar Santa Catarina.
Vamos ajudar o planeta, começando a jogar o lixo no lixo.

A mensagem nestes dois vídeos sintetiza a alma deste texto. Ambos do Radiohead.

O primeiro é da canção "Reckoner". Mostra a transformação do mundo, o ponto que estamos e com uma visão otimista do que pode acontecer em seguida.



O segundo vídeo é um promo da MTV americana, com uma mensagem muito interessante também, sobre aqueles que têm e aqueles que não têm. Muito forte.




Geni, valeu pelas conversas que originaram este texto.


Vamos agir mais.

aureliomasr

3 comentários:

Rodrigo Fonseca disse...

caramba... curti pra caramba esses videos! o da mtv eh foda...
somethings cost more than you realise....

Marcos Freitas disse...

Estou aqui pela primeira vez, mas posso discordar?

O Estado de SC não é próprio para habitação, antigamente aquilo era um grande pantano, assim como muitas regiões de São Paulo que tem enchente até hoje.

É claro que a hipermeabilização do solo e o lixo que geramos contribui, mas o caso de SC são questões geograficas.

aureliomasr disse...

Lógico que sim! Discordar abre debates interessantes!

O fato é que, eu "me aproveitei" da situação de SC para dissertar sobre a situação do mundo de um modo geral. Fatos e catástrofes como a de SC não acontecem sempre e em qualquer lugar, mas servem de alerta para o caminho que a humanidade está sendo direcionada!

Obrigado pela visita e volte sempre!