sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Músicas Sagradas - Versões, Releituras e Covers

Há algum tempo eu postei aqui no blog sobre as versões da música do Soda Stereo, De Musica Ligera feitas tanto pelo Paralamas quanto pelo Capital inicial, e quem não lembra ou não leu, pode ler clicando aqui. Para alguns fãs de boa música - como eu - existem algumas músicas, especialmente das bandas que sou fã até o osso, existem alguns crimes cometidos por aí, e outras que valem a pena serem ouvidas.

Vou tirar como exemplo a música mais conhecida do Pink Floyd: Another Brick In The Wall, Part 2. 

Composta em 1979 como parte do álbum The Wall e censurada em diversos países como a África do Sul por ter se transformado num hino de rebeldia (sobrepondo inclusive o objetivo e os efeitos que o punk objetivava em 1977/78), a canção ABITW2 (Another Brick In The Wall, Part 2) ganhou ao longo dos anos diversas versões, covers e releituras - inclusive uma versão infame do Falcão cantando "Atirei o pau no gato... mas o gato não morreu. Ei! Chica! Deixe o gato em paz!"

Essa a gente pula, por se tratar de uma sátira.

Há alguns anos atrás, surgiu - e bombou em várias baladas - uma versão eletrônica de ABITW2. Como eu sou muito radical, e fã do Pink Floyd, eu saio da pista nessa hora, por julgar tratar-se de um abuso e estar desvirtuando a música de seu objetivo principal e excluindo-a de seu conceito inicial: de abrir a mente dos ouvintes através da mensagem de sua letra, que acaba sendo banalizada numa balada onde todos cantam coisas sem sentido. Talvez a mensagem funcione de uma forma subliminar, mas Roger Waters deve ter quebrado vários dos seus óculos de aviador ouvindo esta versão.

No entanto, três versões pouco conhecidas, na minha opinião, têm seu mérito, cada qual dentro de uma esfera diferente. A primeira versão está na trilha sonora do filme Class of  '99, no Brasil rebatizado como "Prova Final". É um filme de terror adolescente, estilo Pânico ou Eu Sei o Que Vocês Fizeram No Verão Passado. A banda conta com Layne Stanley do Alice In Chains no vocal e Tom Morello do Rage Against The Machine na guitarra. E é uma versão mais pesada, com arranjos diferentes, mas mantendo a estrutura básica da música. É uma das minhas preferidas.


A outra versão é uma que descobri por acaso, tocando em ritmo country, e ficou MUITO DOIDA! Até mesmo pela interpretação do vocalista e os instrumentos utilizados. Está num cd tributo ao Pink Floyd com versões country e bluegrass. A banda chama-se Luther Wright and The Wrongs.


E a última versão é de 2010 de uma dupla iraniana chamada Blurred Vision e teve o aval de Roger Waters para lancá-la, pois o intuito deles era protestar contra a tirania dos aiatolás, tanto que alteraram o refrão para "Hey, Ayatolah, leave us kids alone!" A canção na interpretação deles trouxe de volta o conceito inicial de protestar, ao invés de alienar como a versão eletrônica e patética. Além da interpretação deles ser muito fora da versão comum, com uma pegada muito diferente.


Por ora, é só isso mesmo, mais como curiosidade do que como crítica. Caso conheçam alguma outra versão, mandem nos comments!

Abraços aos leitores invisíveis.
aureliomasr

2 comentários:

craftmind disse...

Marco, tem também algumas músicas do Lobão que, dizem as más linguas sob a penumbra do acaso, terem sido "plagiadas" pelos paralamas... mas só estou divagando ;)

craftmind disse...

Mas esqueci de comentar sobre o post. Acho que essa história de ficar fazendo versão de músicas meio estranho, mas também é um jeito de fazer com que as pessoas parem e prestem atenção na letra mesmo. Imagina, começa a canção, quem gosta já lembrando a letra e... ops! Não é essa a letra que eu conheço! E aí está a forma de se chamar a atenção do público para uma nova verdade ou um acontecimento. Por outro lado, quem simplesmente não gosta do estilo da música nem vai querer ouvir... Neste caso, perdeu-se a oportunidade de se fazer algo novo, numa tentativa mais "global".

Continue com esses posts, eles ainda vão revelar algumas coisas interessantes.