segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu, Into The Wild...à minha maneira...

No último sábado fui a Conselheiro Lafaiete com uns amigos da banda Sacrament, que executaram no Rising Metal Fest. Fui pra trabalhar, filmar a apresentação dos caras, e enfim. Lógico que me diverti bastante também, vi outras bandas, sons que não escuto normalmente. Estou abrindo minha mente para o metal, e confesso que estou aprendendo a gostar.

No entanto, pra mim, um dos momentos cruciais foi a volta. O pessoal é todo de Barroso, há 10 km daqui de Dores de Campos, onde (estou) mor(t)o, e não havia meios de eu voltar pra casa. Chegamos no trevo às 5 da manhã. Eu, com a barriga doendo de fome, com sede, com sono e 75% embriagado, isso tudo aliado à certeza de que àquela hora eu não conseguiria carona. Pensei em sentar no ponto de ônibus e esperar. Mas, raciocinei e vi que, se eu sentasse, eu ia dormir, e poderia até ser assaltado.


Então, um raio caiu no horizonte e por mais estranho que seja me iluminou a mente com uma ideia, que talvez não fosse a melhor, mas foi o que eu fiz. Vim embora andando. Uma caminhada de 10 km a pé... Como estava começando a chover, decidi que iria precisar me proteger. Me tampar. Então, um guarda-chuva improvisado foi providenciado. Outra placa pra coleção. Peguei uma placa, pus sobre a cabeça e vim caminhando.

O que me ocorria nessa situação, e ao mesmo tempo, bêbado... Me sentia no filme Into The Wild...caminhando sozinho à beira da estrada (pra ajudar liguei o mp4 e fiquei ouvindo as músicas do filme, cantando alto - afinal, estava sozinho), apenas com uma mochila nas costas e uma estrada adiante. Mas, como toda alegria dura pouco, apareceu uma carona, quando eu já tinha caminhado por uma hora, cerca de 5 km, conforme o motorista que me deu carona.


Por um lado, foi bom ter vindo mais rápido pra casa, mas confesso que estar ali sozinho, daquela maneira me deixou em paz comigo mesmo, pois não havia uma só alma pra me falar nada. O que fazer, como fazer. Eu simplesmente estava indo, embora soubesse como e porquê. E, ainda mais, voltando à comparação com o filme... Christopher McCandless se tornou Alexander Supertramp ao colocar o pé na estrada, se virar as costas pra sua casa e de frente para o mundo. Marco Aurélio continua Marco Aurélio enquanto caminha de volta pra casa. E, a estrada por onde eu estava, conheço-a muito bem, por passar ali de carro. Mas a pé, é interessante como observamos detalhes que a velocidade do carro (e nosso foco na direção, óbvio) não nos deixam reparar. A simplicidade e a complexidade alinhadas num lugar tão comum. Um contraste berrante do cinza do asfalto cortando um morro vermelho que parece sangrar com a o ar úmido da manhã.


É. Foi um bom passeio. Mas uma volta que me abriu ainda mais a mente para novas realidades. Esses 5 km me disseram alguma coisa.

Um abraço
aureliomasr

Um comentário:

Letícia disse...

Vivemos num mundo cada vez mais virtual e tecnológico e estamos esquecendo o quanto é bom sentir na pele. Às vezes me pego contemplando as belas paisagens do plano de fundo da área de trabalho do windows e tendo vontade de estar dentro delas. Aí, me lembro que... eu posso! O real ainda existe, caminhar ainda é bom, sentir a brisa da manhã é melhor ainda.